Funchal

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A Mudança no Funchal

terça-feira, 14 de maio de 2013

"A seven nation army couldn't hold 'us' back"

Qualquer campanha precisa de alguma irreverência e muita energia. Este riff do Jack White tem tudo isso, para além do mais, "a seven nation army couldn't hold me back", serve sempre como perfeito galvanizador:




segunda-feira, 13 de maio de 2013

Nevoeiro Cortante


Uma das razões que levou-me ao rumo da cidadania, foi ver o meu país em desesperação. Em todo o lado, sinto o descrédito. Até instituições como a Presidência da República perderam o lastro. Estamos sem referências ou pontos cardeais, e, no meio do nevoeiro, divagamos, sem ventos favoráveis. Entre a confusão, sinto que o rancor está a tomar conta do país. Já nem sabemos o que representa a "austeridade", uma expressão que exigia algum rigor e nobreza, descambou em num mero excercício de subserviência. Leio este trecho de Vasco Pulido Valente, aqui, e pressinto que não sou o único a ser tomado por estes pensamentos:

«A humilhação que se acumula já fez desaparecer a mais leve ideia de responsabilidade pela catástrofe em que nos metemos (ou em que nos meteram). Ficou só o ódio. [...] E nem sequer um ódio cerimonioso e disfarçado. A vida pública começa a tomar um “tom” muito semelhante às piores fases do PREC. [...] Os jornais não hesitam em distorcer ou inventar os factos e acabaram num coro de queixas quase completamente inútil. As sessões da Assembleia da República parecem as sessões da última câmara monárquica na sua agonia. Não se sabe quem manda no governo ou se o governo realmente manda. E o dr. Cavaco arranjou para si um “exílio interior”, que o protege das baixas realidades do mundo. O ministro das Finanças altera impostos, taxas, contribuições (parece que até hoje 65 vezes), para se conformar aos “conselhos” da troika, que são os da Alemanha. [...] E, como sempre, o desespero inspira e multiplica a mentira: a mentira sistemática ou a mentira ocasional. Toda a gente mente, com raiva e com maldade ou pura e simplesmente por inconsciência. Portugal entrou numa nova era de pobreza, de conflito e de isolamento: e essa era promete durar.»

Fonte - Foto: Da Literatura





Paixão Pelo Funchal (4)

Encontro no Delito de Opinião, um dos melhores blogues portugueses, um post de Pedro Correia, com o título "Um Mar de Chamas". O post é de 2012, e serve para lembrar o papel do DN-Madeira, e o facto, que a preocupação com os incêndios deve ser permanente.


"A Cidade e o Cinema"

Não posso deixar de dar o meu apoio pessoal a esta iniciativa do Clube Universitário de Cinema da UMa. Aqui, podemos encontrar a apresentação do projecto, através da divulgação do primeiro filme a ser exibido: 

"A exibição deste filme integra uma iniciativa do Clube Universitário de Cinema da UMa que inaugura a sua atividade com um ciclo dedicado à relação do cinema com a cidade, enquanto matéria profílmica, que assume diferentes papéis como os de protagonista, pano de fundo da narrativa, espaço de deriva ou outras formas de relação metafórica com as personagens ou enredos. Os filmes, que poderão ser vistos (ou revistos sob um novo olhar), constituem-se como pontos de partida para um debate que pretende refletir sobre a ideia de cidade, e o papel desta na narrativa cinematográfica, através do olhar de alguns realizadores marcantes da história do cinema."

Qual será o cinéfilo que se esquecerá do Cinema Paraíso, de Giuseppe Tornatore, onde o cinema era vivido por todos? Esta iniciativa tenta reproduzir o fascínio colectivo em torno do cinema, fornecendo "um novo olhar", uma nova perspectiva. Não nos podemos esquecer que o cinema transforma, transformando-nos, é uma força viva, capaz de produzir mudança. 



Foto: Cinema Paraíso
Fonte: IMDb

"Microempreendedorismo para todos."

Esta iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, traduz bem aquilo que penso sobre as potencialidades  das autarquias, no domínio da criação de valor. Para além da ideia, já exposta, do "artista residente", deixo aqui uma nota sobre a necessidade das Câmaras, ou apoiarem organismos que já facultam formação, ou facultarem directamente workshops, como é o caso do Lisboa Empreende, uma boa iniciativa que aproxima os munícipes da sua cidade. 


A Cidadania Faz Toda a Diferença

Encontrei um documento do Governo Regional dos Açores, relativo a uma área primordial, a Saúde. A ideia é produzir modificações no Sistema Regional de Saúde, para que este torne-se mais eficaz e articulado: 

"A Proposta de reestruturação do Serviço Regional de Saúde propõe medidas relativas à organização e gestão do SRS e cria as condições necessárias para melhorar a articulação entre cuidados de saúde primários e hospitalares, de modo a que os centros de saúde e os hospitais se complementem."

Devo sublinhar, porém, que todo este processo não é fechado. Está aberto a toda sociedade civil, incluindo todos os partidos da Oposição. Neste documento, podemos ver exactamente isso. Quando conversamos de assuntos cruciais, como a Saúde, não são as facções partidárias que contam, é a cidadania. Uma nota relevante, numa era onde estamos demasiado fixados em aparelhos, siglas, frases feitas ou slogans. 


«Ni victimes ni bourreaux»

Sendo uma proposta de leitura, ainda não tive oportunidade de ler. O título é de Albert Camus: Ni victimes ni bourreaux. 



Faço uma tradução, exclusivamente, pessoal: Não seremos vitimas, Não seremos carrascos. No lugar de «carrascos» poderiam estar «tiranos», «opressores», «vingativos». Adequado...


Fotos:
1. Edição Inglesa: Neither Victims Nor Executioners.
2. Albert Camus.

domingo, 12 de maio de 2013

Não É A Miséria Que Deve Ser Elástica

Compreendo a iniciativa da senhora. Ensinar o público a alimentar-se com 12 euros (10 libras) semanais, poderá ser, efectivamente, útil para muitas pessoas. Fico, porém, com a impressão que são os mais carenciados que devem ajustar todos os detalhes das suas vidas à miséria, como se estívessemos a ensinar os pobre a serem pobres. Encaixa, perfeitamente, na narrativa de viver "acima das possibilidades". Encaixa, até, demasiado bem. É tudo demasiado conveniente. Parece um regresso ao passado, onde as nossas necessidades estão muito abaixo daquilo que é a nossa dignidade. 

Dito isto, viveremos num mundo, onde a política passa a ser inócua. Confesso que tenho receio destas fantasias, onde a pobreza tem de ser elástica e tudo o resto permanece inamovível. Temos de ser inflexíveis com isto. 

Notícia: uma jovem mãe tornou-se um fenómeno da blogosfera porque ensina as pessoas a preparar refeições diárias, com 58 cêntimos, ou seja, 12 euros por semana.

Foto: Jack Monroe



Fonte: Público

Voltar ao Verbo (Raquel Gonçalves)

Neste momento de incerteza, dominado por números farpados, Raquel Gonçalves escreve sobre o regresso às palavras, sendo estas, o veículo privilegiado para levar aos outros tudo aquilo que acreditamos, facultando o arsenal que defende a nossa dignidade. 

Não posso deixar de transcrever as próprias palavras da autora:  

"Por isso, prefiro, se calhar, voltar às palavras, mesmo quando estas se mostram insuficientes para contar o que já não nos devolve a esperança.

E as palavras levam-me à denúncia dos que continuam a preferir a ilusão de outros números, os resultados de glórias passadas, ou o número de ilusionismo que mais não pretende do que mascarar a realidade. Neste número cai quem quer, quem gosta ou quem prefere ignorar números e palavras, mesmo quando estes gritam alto a nossa matemática de desvantagem."
Realmente, as coisas, estão "a preto e branco". 
Fonte - Foto: a preto e branco
Título: A confiança saiu pela porta dos fundos



sábado, 11 de maio de 2013

"Vita Activa"

Não posso esconder as minhas referências, e esta mulher é uma delas. Encontro sempre um rol de críticas em torno de Hannah Arendt, e confesso que sempre tive alguma dificuldade em compreender a razão destas, até encontrar as suas cartas publicadas. Um pouco como a correspondência entre Agustina Bessa-Luís e Jorge De Sena, ambas as autoras revelam uma irresistível irreverência e algum desprezo por convenções e artificialismo. Não conheço a obra completa de ambas, que foi, em ambos os casos, extensa. Julgo porém que qualquer elogio, a qualquer uma destas duas mulheres, pecará sempre por defeito. Há casos em que mesmo com um vislumbre parcial, o encanto não deixa de ser inteiro.
Num projecto que assenta os pés em solo plural, a expressão de Hannah Arendt "vita activa" será sempre um auspicioso mote. Num mundo em que a linguagem política é reduzida a slogans, e o próprio discurso redunda frequentemente num elaborado fogo-de-artíficio verbal, as três palavras, "labor, trabalho, acção", são, por si só, todo um projecto político. 


Hannah Arendt

Um Dever de Cidadania Premente



Já adquiria ocasionalmente o Diário de Notícias da Madeira, mas não com a frequência desejável, isto é, todos os dias. Tornou-se um dever de cidadania comprar este matutino. Não tenhamos ilusões, os jornalistas exercem um ofício e têm vidas como todos nós. Não é possível termos jornalismo independente sem jornais com autonomia financeira, e, esta advém, dos leitores. 

Os jornais prestam-nos um serviço indelével: informar, esclarecer, esvanecer a penumbra das ficções políticas, desmascarar ilusões. Devemos fazer a nossa parte, pois dependemos dos jornais para termos uma democracia viva e uma liberdade mais incisiva. Não quero ver a democracia escapar das minhas mãos, como grãos de areia. O meu compromisso com a cidadania exige o gesto diário de pagar o ofício daqueles que salvaguardam a minha liberdade e os meus direitos. 



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Paixão Pelo Funchal (3)

Mais parece uma fajã urbanizada...

Autor: Donato Paulo Vares Macedo
(Curiosamente, vejo aqui que fajã é uma terra resultante de desprendimentos de uma encosta ou arriba.)